A deusa caída
Nuvens escuras rastejavam pelo céu como peregrinos sem fé. Abetos
negros, vigilantes, erguiam-se ao longo do adro da igreja, confinando o caminho
como guardiões de um segredo antigo — não para proteger os justos, mas para
ocultar os ébrios da verdade que espreita após o último sino. Ao longe, uivos de
lobos famintos rasgavam o silêncio. A banheira de prata como uma pia batismal
derramava seu brilho sobre o vitral gótico, onde já não ardiam os quinze
candeeiros que outrora narravam o martírio da Via-Sacra da capela imemorial. A
fé havia partido restando apenas o símbolo de um Deus profanado. Ali sob o altar
ela jazia. cabelos acobreados como cascata turva, ocultando as costas tatuadas
em inscrições de pactos jamais absolvidos, submersa no sangue de inocentes rosas
carmins envolvia seu corpo como amantes oriundos de outro mundo, pétalas como
lábios úmidos beijava sua pele na penumbra de um altar de sacrilégios. Hastes
pitorescas, embebidas no néctar de sonhos de desejos e dominação perfuravam
sugando suspiros de sintonia que ecoavam em veias repletas do veneno e êxtase. -
Lilith a deusa caída, onde espinhos de rosas são presas de seu manipulador, um
reflexo em um espelho que por um momento não se deixa enganar. Ele surge entre
nevoas e a fuligem soprada pelo vento indiscreto. Asmodeu, príncipe da lascívia,
riscando com garras ardentes os limites da posse, arranhou-lhe os seios,
marcou-lhe o ventre, não como invasor, mas como aquele que domina e sempre soube
que retornaria. Seu toque não pedia permissão; proclamava destino. Lábios ávidos
de sangue, espinhos que cravam na carne da rainha do submundo onde almas e
sonhos se afogam na sua Imensurável fascinação. Da sua boca entremeios dos
dentes alvos e oblíquos soprava rituais trazendo o renascimento da invocação do
abismo, nas suas veias aparentes pulsava o veneno do orgasmo eterno, onde as
sombras não cogitavam nas orlas infindáveis do amor. Cativa nas garras da magia
do opositor onde seu corpo tornou um sacrifício no cálice da luxuria ele sorveu
sua alma sem misericórdia, na dança mística de morte e desejo, num efervescer
onde a carne sussurra o frisson de entrega e começa o grito triunfante da
escrava num eco de trevas, onde uma chamada que rasgava a noite sinos mudos,
tocavam no vazio insondável do silêncio, onde não há vida nem morte apenas uma
escuridão sem fim, nos dédalos de um futuro próximo toda flama apagará, somente
ela continuará, a escuridão absoluta, insensível pois esta não é simplesmente a
ausência de luz é a verdade, diante da qual todo o resto é apenas uma ilusão.
Ivan
Oásis
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 6 de julho de 2015
Quebrando tabus
Os últimos raios de sol
apreçava para irem embora
para deixar que eu vivenciasse mais uma aventura do amor
pois este é cheios de trilhas a serem desvendadas.
O mar com seus encantos
quebrava os grilhões de sonhos cativos,
e fantasias reprimidas
enquanto nossos corpos suados
rolavam na areia com o fluxo e refluxos das ondas
, a lua flamejava no céu e cintilava nas aguas,
ao mesmo tempo que deixava nossos corpos brilhantes,
misturando aos gemidos enciumado, do marulhar das ondas.
Em nossos rostos o olhar triunfante,
nos lábios o sorriso em êxtase,
cúmplices de mais uma barreira do tabu quebrado
pois no relógio apressado do tempo 25 anos de casados
era como uma joia que levou uma eternidade para ser lapidada.
Asmodeu
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
domingo, 19 de janeiro de 2014
Amigos virtuais
Sou amigo dos olhos nos olhos
dos lábios nas faces e do aperto das mãos
do abraço apertado e da ternura do aconchego.
Sou aluno constante da vida contínua
e não bacharel poliglota de prisões virtuais.
Palavras cheias e ao mesmo tempo vazias
de sentimentos libertos e ao mesmo tempo enclausurados.
Sou revertido de carne e osso
Onde sangue jorram nas veias
pelo impulso do viver
Sem o suicídio do avatar das miragens das redes ópticas.
Meus passos buscam o infinito das montanhas
E os recônditos dos vales.
Meu corpo anceia pela brisa do vento
E do abraco das ondas do mar.
Asmodeu
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Ninfa
Perfume em flor
em forma de mulher.
sabor sublime do amor
que quebra o pudor do desejo de querer.
Prisioneiro sou desde seu ser
neste corpo que seduz
nas muralhas do prazer
no labirinto de curvas que seduz.
Já nem sei se é pecado
lascívia, obsessão ou paixão.
de um pensamento perdido
na chama insânia da razão.
Perfume em flor
em forma de mulher.
sabor sublime do amor
que quebra o pudor do desejo de querer.
Prisioneiro sou desde seu ser
neste corpo que seduz
nas muralhas do prazer
no labirinto de curvas que seduz.
Já nem sei se é pecado
lascívia, obsessão ou paixão.
de um pensamento perdido
na chama insânia da razão.
Ou se é insultos
deste seu corpo em transformação
reduzir-me a passos curtos
para viver esta emoção.
Asmodeu
deste seu corpo em transformação
reduzir-me a passos curtos
para viver esta emoção.
Asmodeu
Assinar:
Comentários (Atom)



